TRÊS PERGUNTAS SOBRE O ESPINHO NA CARNE DE PAULO
"E para que eu não me exaltasse pelas excelências das revelações, foi-me dado um espinho na carne, a saber, um mensageiro de Satanás, para me esbofetear, a fim de que eu não me exaltasse. Acerca do qual três vezes orei ao Senhor para que se desviasse de mim. E Ele me disse: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo." II Coríntios 12:7-9.
Uma das objeções mais comuns hoje contra o ministério da cura é "o espinho na carne" de Paulo. Uma ideia tradicional leva a outra ideia tradicional. Sem dúvida, a doutrina promulgada em toda parte, de que Deus é o Autor da doença e de que Ele deseja que alguns de Seus filhos mais devotos permaneçam enfermos para glorificá-Lo, exibindo coragem e paciência, tem fortalecido a ideia de que Paulo padecia de uma enfermidade que Deus recusou curar. Não acreditamos que alguém que tenha tempo para ler tudo o que Deus diz sobre o assunto da cura possa formar tal conclusão.
Admito, contudo, que homens igualmente devotos podem ter opiniões contrárias, não somente sobre este ponto, mas sobre todo o assunto da cura divina. É meramente uma questão de estudo e investigação. Muitos homens bons, que ensinam que a época de milagres já passou, ao lerem as Escrituras, têm ignorado o ensinamento bíblico sobre a cura, não acreditando que ele se aplique a nós hoje. É com o desejo sincero de ajudar todo coração honesto que apresentamos o seguinte estudo acerca do "espinho na carne" de Paulo. Muitos milhares de pessoas amadas têm padecido desnecessariamente anos de agonia na enfermidade, acreditando que agradavam a Deus, que, segundo eles, levou Paulo a sofrer alguma forma de enfermidade. Para compreendermos bem esse caso, consideremos o que a Bíblia diz acerca desse "espinho na carne." 1) O que foi esse "espinho"? 2) O que ele ia fazer? 3) Por que foi dado a Paulo?
PRIMEIRO: A expressão "espinho na carne" não se encontra nem no Velho Testamento nem no Novo, a não ser como ilustração. A figura de "espinho na carne" não é usada nenhuma vez na Bíblia como uma figura de enfermidade. Todas as vezes que essa expressão aparece na Bíblia, ela declara exatamente o que era o "espinho na carne". Em Números 33:55, a expressão "espinho na carne" ilustrava os habitantes de Canaã. Em Josué 23:13, refere-se às nações pagãs de Canaã, aos cananeus. Nestes dois casos, a Bíblia afirma clara e exatamente o que eram esses "espinhos na carne": eram personalidades. Paulo declara com a mesma clareza que seu "espinho" era "um mensageiro de Satanás" ou, conforme outros tradutores, "o anjo do diabo". Novamente, a ilustração "espinho na carne" se referia a uma personalidade, "um mensageiro de Satanás". Essa palavra "mensageiro" é traduzida da palavra grega "angelos", que aparece 188 vezes na Bíblia e é traduzida como "anjo" 181 vezes, e 7 vezes como "mensageiro". Em todas as 188 vezes na Bíblia inteira, é uma pessoa e não uma coisa, sem uma exceção sequer. O inferno foi preparado para "o diabo e seus anjos" (Mateus 25:41), ou "mensageiros"; e o "espinho na carne" de Paulo era um desses "mensageiros" do diabo, como Paulo o diz.
Pregadores e mestres têm imaginado "o espinho na carne de Paulo" como sendo tudo, desde uma doença oriental — "oftalmia" — até uma esposa não convertida. Parece-me improvável que tais ideias, tão gerais e diversas, passassem de uma pessoa a outra, quando Paulo declara tão clara e definitivamente que seu "espinho na carne" era "um mensageiro de Satanás".
SEGUNDO: Paulo não apenas nos diz o que era seu "espinho" — "um mensageiro de Satanás" — mas também nos revela o que esse "mensageiro" ou "anjo de Satanás" veio fazer: "para me esbofetear." A palavra "esbofetear" significa "dar bofetada após bofetada", como quando as ondas esbofeteiam um navio, ou quando Cristo foi esbofeteado. Veja como essa palavra é usada em Mateus 26:67; Marcos 14:65; I Coríntios 4:11; e I Pedro 2:20. A mesma palavra usada em II Coríntios 12:7, descrevendo o sofrimento de Paulo, deve ser entendida no mesmo sentido em todas as outras Escrituras. Em nenhum desses casos a palavra se refere a enfermidade ou doença. Esse "mensageiro" ou "anjo" de Satanás foi enviado para "esbofetear" Paulo continuamente, para dar "bofetada após bofetada" neste fiel homem de Deus. A enfermidade não "esbofeteia" uma pessoa, mas a obra de um "anjo do diabo" em atormentar certamente corresponde a essa descrição. O seguinte catálogo dos sofrimentos de Paulo (bofetadas do mensageiro de Satanás, sempre presente) durante seu ministério será suficiente, certamente, para dar conta das bofetadas recebidas por Paulo durante sua vida, sem precisar acrescentar enfermidade à lista — algo que nem Paulo nem as Escrituras mencionam.
Imediatamente após a conversão de Paulo, Deus enviou Ananias para informá-lo de que ele ia mostrar-lhe quanto deveria padecer por Seu Nome (Atos 9:16). Isso se cumpriu nos seguintes acontecimentos:
1. Os judeus, logo após a sua conversão, tomaram conselho entre si para matá-lo (Atos 9:23).
2. Impedido de se juntar aos discípulos (Atos 9:26-29).
3. Resistido por Satanás (Atos 13:6-13).
4. Resistido pelos judeus amotinados (Atos 13:44-49).
5. Expulso de Antioquia da Pisídia (Atos 13:14, 50-52).
6. Atacado pela multidão e expulso de Icônio (Atos 14:1-5).
7. Fugiu para Listra e Derbe, foi apedrejado e deixado como morto (Atos 14:6-19).
8. Disputava continuamente com falsos irmãos (Atos 19:8).
9. Açoitado e lançado na prisão em Filipos (Atos 16:12-40).
10. Atacado pelas multidões e expulso de Tessalônica (Atos 17:1-10).
11. Atacado pelas multidões e expulso de Beréia (Atos 17:10-14).
12. Atacado pela multidão em Corinto (Atos 18:1-23).
13. Atacado pela multidão em Éfeso (Atos 19:23-41).
14. Conspiração dos judeus para matá-lo (Atos 20:3).
15. Preso pelos judeus, atacado pelas multidões, julgado cinco vezes, e muitos outros padecimentos.
Além do opróbrio, necessidades, perseguições e aflições mencionados em II Coríntios 12, no capítulo 6 da mesma epístola, ele menciona açoites, prisões, tumultos, desonra, infâmia, "como morrendo, e eis que vivemos", "como castigados, e não mortos." E no capítulo 11, ele menciona "açoites, mais que eles; em prisões, muito mais; em perigo de morte muitas vezes. Recebi dos judeus cinco quarentenas de açoites menos um. Três vezes fui açoitado com varas, uma vez fui apedrejado, três vezes sofri naufrágio, uma noite e um dia passei no abismo; em viagens muitas vezes, em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos dos da minha nação, em perigos dos gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre os falsos irmãos; em trabalhos e fadiga, em vigílias muitas vezes, em frio e nudez." "Injuriado ... perseguido ... blasfemado, chegando a ser como lixo deste mundo ... como a escória de todos," etc, etc.
Quem, a não ser o anjo de Satanás, poderia ser responsável por todos esses sofrimentos? Vê-se que Paulo, ao enumerá-los, menciona quase tudo em que se pode pensar, menos enfermidade, como doença dos olhos. A coisa que ele não menciona, a tradição pega e diz que era seu "espinho". Por que pregadores e mestres substituem "doença dos olhos" ou "enfermidade" — algo que Paulo NÃO menciona — pelas bofetadas que ele menciona?
Certamente o "espinho" de Paulo não podia ser a vista deficiente, porque seus olhos foram CURADOS DE CEGUEIRA (Atos 9:18).
Notamos, agora, dois pontos claros, sem nos desviarmos em nada do que Paulo realmente disse acerca desse "espinho"; isto é: 1) O QUE ERA O ESPINHO DE PAULO? Resposta: "Um mensageiro (anjo) de Satanás." 2) O QUE IA FAZER ESSE MENSAGEIRO? Resposta: "Para me esbofetear (dar bofetada após bofetada)."
Tenho ouvido pregadores e mestres darem suas ideias ou opiniões, ou o que parece, ou o que Dr. Fulano disse acerca do "espinho na carne" de Paulo. Invariavelmente, confortam os enfermos com a mensagem de que Paulo era doente e orou três vezes para ser curado, mas Deus não achou bom curá-lo, e antes disse a Paulo que Sua graça lhe bastava; portanto, devemos, como Paulo, suportar nosso "espinho de enfermidade", fiel e pacientemente, para a glória de Deus. A Bíblia não diz nada sobre Paulo estar enfermo, orar para ser curado, nem que Deus o obrigou a permanecer enfermo.
Em vez dessas coisas que a Bíblia NÃO diz, é isso que a Bíblia realmente diz: "E, para que eu não me exaltasse pelas excelências das revelações, foi-me dado um espinho na carne (não uma doença, mas), a saber, um mensageiro de Satanás para me esbofetear, a fim de que eu não me exaltasse. Acerca do qual (mensageiro de Satanás) três vezes orei ao Senhor para que se desviasse de mim (Paulo não diz que orou três vezes para ser curado). E (Deus) disse-me: 'A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza.'" (Deus não diz: "Não, Paulo, quero que fiques enfermo.")
TERCEIRO: Agora queremos considerar a terceira pergunta, cuja resposta é tão clara como as duas primeiras. POR QUE O MENSAGEIRO DE SATANÁS FOI ENVIADO PARA ESBOFETEAR A PAULO? Resposta: Para que ele "não se exaltasse pelas excelências (abundância) das revelações." Devemos ensinar aos enfermos hoje em dia que sua enfermidade é um "espinho", que deve permanecer para que não se engrandeçam demais por causa da abundância de revelações? Creio que a razão do "espinho" de Paulo certamente exclui quase todas as demais pessoas. Ao menos, não temos o direito bíblico de declarar que nossa enfermidade seja um "espinho" como o de Paulo, a menos que recebamos, também, como ele, tão grande abundância de revelações que precisemos de algo para não nos ensoberbecermos. Se dissermos que temos um "espinho", então temos que concordar com o resto das Escrituras acerca do "espinho" de Paulo. Paulo se gloriava em todas as bofetadas que sofria às mãos do mensageiro de Satanás. Mas se as bofetadas eram "enfermidade", e se sofremos "enfermidade" como dizem que Paulo sofreu, por que não nos gloriamos em nossa enfermidade em vez de tentar nos livrar dela? Se nos gloriamos em nosso "espinho", não devemos ir ao melhor cirurgião para remover o "espinho".
Consideremos as Escrituras que se citam para provar que o "espinho" de Paulo era uma espécie de enfermidade, usando Dr. James Strong's Exhaustive Concordance como guia:
a) "De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas" (II Cor. 12:9).
b) "Pelo que sinto prazer nas fraquezas" (II Cor. 12:10).
c) "Vós sabeis que, a primeira vez, vos anunciei o Evangelho estando em fraqueza da carne" (Gál. 4:13).
d) "Estava convosco em fraqueza" (I Cor. 2:3).
"A presença do corpo é fraca," II Cor. 10.10.
"A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza," II Cor. 12.9.
Essa palavra "fraqueza" é traduzida da mesma palavra grega que Paulo usa em Romanos 8.26, quando diz: "Da mesma maneira também, o Espírito ajuda as nossas fraquezas; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós." É também a mesma palavra usada em Hebreus 11.34, quando fala dos profetas que "da fraqueza tiraram forças." E se encontra em II Coríntios 13.4 para expressar a maneira como Cristo foi crucificado: "Porque, ainda que foi crucificado por fraqueza, vive contudo pelo poder de Deus."
A palavra "fraco" ou "fraqueza," usada nessas Escrituras, é a mesma palavra usada em II Coríntios 12.10, quando Paulo disse: "Porque quando estou fraco, então é que sou forte." Se a palavra "fraco" quisesse dizer enfermo, então a palavra "forte" logicamente significaria que ele estava bom de saúde.
Essas palavras, traduzidas como "fraqueza" ou "fraco," em relação à vida de Paulo, nunca foram usadas para dar a ideia de enfermidade ou de alguma doença dos olhos.
Observemos o uso da palavra "fraqueza," que é traduzida da mesma palavra e raiz mencionada acima, como usada nas seguintes Escrituras. Substituamos, cada vez, a palavra "enfermidade" ou "doença," e veremos que não faz sentido. Romanos 4.19; 8.3; 14.2,21; I Coríntios 8.9; 9.22; 15.43; II Coríntios 13.4; Hebreus 5.2; 7.28. Em várias dessas Escrituras, a palavra "fraqueza" é contrastada com "poder" ou "força," sem qualquer ideia de fraqueza resultante de doença.
Quando Paulo fala da sua fraqueza diante da Igreja, expressa a sua insignificância no seu próprio poder, confiando inteiramente no Espírito e no poder de Deus, para que a fé dos coríntios não se apoiasse na sabedoria dos homens, mas no poder de Deus, I Coríntios 2.5.
b) "Não rejeitastes, nem desprezastes isso que era uma tentação na minha carne," Gálatas 4.14.
A palavra "tentação" (que é interpretada para significar uma espécie de doença) é traduzida da mesma palavra grega usada para expressar o desafio de Satanás a Cristo no deserto: "Acabando o diabo toda a tentação" (Lucas 4.13), e usada por Jesus quando disse: "Orai, para que não entreis em tentação" (Lucas 22.40). Nenhuma dessas palavras tem qualquer referência à enfermidade ou doença de qualquer espécie.
c) "Vede com que grandes letras vos escrevi por minha própria mão," Gálatas 6.11.
Ensina-se que Paulo era quase cego, a ponto de precisar escrever com letras grandes, mas consideremos os seguintes fatos:
Primeiro: A palavra "letra" que Paulo empregou é traduzida da mesma palavra grega usada em II Coríntios 3.6: "A letra mata, mas o Espírito vivifica." Isso certamente não se refere a uma letra do alfabeto.
Segundo: A palavra "grandes," usada em português em Gálatas 6.11, é traduzida de uma palavra grega que significa uma forma quantitativa, QUANTO (segundo Dr. James Strong). Além disso, essa palavra "grandes," traduzida do grego, NÃO é a mesma que se usa para exprimir TAMANHO em Lucas 22.12 ao falar de "um grande cenáculo;" a palavra "grande" em Lucas é traduzida da palavra grega "megas," que significa simplesmente grande em tamanho. Mas a carta de Paulo (Gálatas 6.11) era grande em quantidade. Uma letra do alfabeto pode ser grande em TAMANHO, mas não em QUANTIDADE.
Terceiro: Sem dúvida, Paulo fala de sua epístola ser grande (em quantidade) simplesmente porque não era seu costume escrever com sua própria mão.
"Vede com que letras vos escrevi de minha própria mão," Gálatas 6.11 (Vers. Fig.).
d) "Porque vos dou testemunho de que, se possível fora, arrancaríeis os vossos olhos e mos daríeis," Gálatas 4.15.
Muitos crentes acham que esta Escritura é uma prova de que os olhos de Paulo eram tão doentes, talvez com a doença oriental "oftalmia," que o povo estava disposto a lhe dar seus próprios olhos para substituir os olhos doentes de Paulo. No entanto, parece-me presunçoso basear uma SU-POSIÇÃO de que Paulo tinha uma doença ocular apenas nesta Escritura. Não há dúvida de que a expressão dos gálatas era simplesmente uma demonstração de carinho e amor pelo fiel ministério de Paulo.
Durante a reunião de despedida que marcou o encerramento das treze semanas gloriosas da campanha em Kingston, Jamaica, durante a qual mais de cem surdos-mudos e mais de noventa pessoas completamente cegas foram curadas, um dos queridos pastores jamaicanos, em suas palavras de despedida, disse-nos: "Irmão Osborn, nosso povo o ama. Eles estão louvando a Deus por sua vinda aqui e querem que saiba que cortariam o braço direito e o dariam a você, se fosse possível." Essa expressão de devoção, certamente, não era prova de que eu tivesse um câncer no meu braço direito.
Após examinar as Escrituras principais que muitas pessoas consideram como prova de que Paulo era doente ou sofria de uma doença ocular, vemos que apenas alguns minutos de estudo são suficientes para perceber que essas Escrituras não provam o que tradicionalmente se ensina sobre elas.
A alegada doença de Paulo contradiria uma grande parte da verdade bíblica. Consideremos o capítulo seguinte: Fatos para meditar sobre o espinho na carne de Paulo.
### Fatos para Meditar Sobre o Espinho na Carne de Paulo
1. Desde que a cura é uma parte integrante do Evangelho, como poderia Paulo gozar da "plenitude da bênção do Evangelho" (Romanos 15.29), como ele dizia, e ainda assim permanecer doente? Não é a cura uma parte da bênção do Evangelho?
2. Se Paulo era doente, como poderia o povo a quem pregou em Éfeso ter recebido fé para tais "maravilhas extraordinárias" de curas? Atos 19.11-12.
3. Se Paulo era doente, como poderia, ao pregar o primeiro sermão em Listra, gerar tal fé no coração de um pagão "coxo desde o ventre de sua mãe" (Atos 14.😎 a ponto de o homem ser curado instantânea e milagrosamente? Se Paulo fosse doente, esse pagão teria crido no primeiro sermão que Paulo pregou e recebido fé suficiente para ser curado, enquanto hoje muitos dos educados recusam acreditar, apesar dos inúmeros sermões que pregamos, com corpos sãos e fortes? Os críticos me perguntam repetidamente: "Se o senhor estivesse doente, o que aconteceria à sua mensagem?" Contudo, eles acreditam que Paulo, enfermo, fraco e quase cego, conseguiu gerar fé suficiente em um pagão, por meio de um sermão, para produzir um milagre de cura.
4. Se Paulo era enfermo ou doente, como conseguiu ver a "obediência dos gentios, por palavra e por obras, pelo poder dos sinais e prodígios, na virtude do Espírito de Deus" (Romanos 15:18-19), enquanto o pregador atual, doente e declarando ter "um espinho na carne" como Paulo, geralmente fica incapacitado, acamado, e raramente, ou nunca, opera sinais, prodígios e milagres?
5. Se Paulo era enfermo ou doente, como, ao pregar na Ilha de Malta, o pai de Públio, e "os demais que na ilha tinham enfermidades" vieram até ele e foram curados? (Atos 28:8-9).
6. Se "o espinho" de Paulo não impedia a fé do povo para ser curado de doenças físicas em Éfeso, Malta, Listra e quase todos os demais lugares onde Paulo pregava, por que deveríamos usá-lo atualmente para impedir a fé para a cura física?
7. No tempo da Bíblia, "a fé vinha pelo ouvir a Palavra de Deus," mas atualmente "a fé desaparece ao ouvir a palavra do pregador," pois o pregador declara que Paulo era doente, e que Deus não queria curá-lo, apesar de ele ter orado três vezes. Portanto, é possível que não seja a vontade de Deus nos curar. Tais argumentos nos levam a abandonar todas as promessas claras de Deus para curar TODOS os que pedem, promessas que são baseadas na PALAVRA DE DEUS e que nos são dadas para produzir fé. Tais argumentos nos obrigam, a cada vez, a procurar revelações especiais do Espírito de Deus para determinar se é ou não a vontade de Deus nos curar. Se fosse assim, essa fé NÃO VIRIA apenas pela Palavra de Deus, como Paulo ensina, mas por meio de oração, suplicando até recebermos uma revelação especial sobre a vontade de Deus. Como isso é ilógico! Não é estranho que aqueles que pregam que Paulo era doente, em vez de orarem e pedirem a Deus que os cure, recorram ao médico (que eles creem ser mais capacitado para libertá-los do "espinho" de enfermidade, se Deus quer ou não que ele seja retirado)? Não é estranho que pregadores que ensinam que o "espinho" de Paulo era uma enfermidade recomendem que seu povo se submeta a operações e tratamentos médicos para ser restaurado, em vez de orar a Deus pedindo que revele se é Sua vontade ou não, como ensinam que Deus revelou a Paulo? Para serem consistentes, deveriam recomendar que seu povo "se glorie" nas suas enfermidades, como ensinam que Paulo fez, em vez de se esforçar para ficar livre do "espinho."
8. É claro que Paulo não ficou incapacitado por seu "espinho na carne" de desempenhar seu ministério, pois podia testificar: "Trabalhei muito mais do que todos eles" (1 Coríntios 15:10). Não é razoável dizer que um homem enfermo poderia trabalhar "muito mais do que todos" os demais pregadores de boa saúde. Isso certamente não é verdade hoje. O pregador que diz que sua enfermidade é o "espinho na carne de Paulo" geralmente fica incapacitado, seu auxiliar desempenha uma grande parte de seu ministério, enquanto ele mesmo passa grande parte do tempo em repouso para recuperar a saúde. Paulo, que certamente cumpria o que pregava, nos ensina a ficar "preparados para toda a boa obra" (2 Timóteo 2:21); a ficarmos "plenamente preparados para toda a boa obra" (2 Timóteo 3:17); "zelosos de boas obras" (Tito 2:14); "preparados para toda a boa obra" (Tito 3:1); "aperfeiçoados em toda a boa obra para fazerdes a Sua vontade" (Hebreus 13:21); e "abundantes em toda a boa obra" (2 Coríntios 9:8). É claro que uma pessoa enferma não pode fazer todas essas coisas.
9. Se a declaração "A Minha graça te basta" significasse que Deus estava informando a Paulo que ele deveria permanecer enfermo, como muitos ensinam atualmente, seria o único caso em toda a Bíblia de Deus querer uma pessoa doente para lhe dar "graça" por meio da enfermidade. Em parte alguma das Escrituras se ensina que Deus dá "graça" ao corpo físico. A própria palavra "graça" mostra que é o "homem interior" que precisa de auxílio, pois a graça de Deus é transmitida somente ao "homem interior," que Paulo diz, neste caso, "se renova de dia em dia." A GRAÇA de Deus é para o "homem espiritual," mas a "VIDA de Jesus se manifesta em nossa carne mortal" (2 Coríntios 4:11).
10. O "espinho" de Paulo não impediu que ele terminasse sua carreira, mas muitos, ensinando que esse "espinho" era uma enfermidade, e crendo que suas enfermidades são como o "espinho" de Paulo, ficam "aposentados" no meio de suas vidas e ministérios.
11. O ministério de Paulo abundava constantemente em milagres, curas, sinais e maravilhas em todo lugar onde ministrava. Como é estranho que tantos pregadores nos ensinem que o "espinho" de Paulo era algo que Paulo não disse que era, e então empreguem esse argumento ou suposição CONTRA O PRÓPRIO MINISTÉRIO EM QUE PAULO ABUNDAVA — milagres e curas.
12. A pregação de Paulo sempre produzia FÉ entre os ouvintes PARA SEREM CURADOS, e milagres de curas eram comuns em todo o seu ministério. Mas os pregadores que pregam que Paulo sofria de uma enfermidade que Deus não queria curar quase nunca produzem fé para a cura dos enfermos, como se vê pelo fato de que MILAGRES ESTÃO QUASE, SENÃO INTEIRAMENTE, AUSENTES DE SUAS IGREJAS. Muitos nos dizem que já se passaram os tempos dos milagres.
13. Paulo disse: "Como nada que útil seja, deixei de vos anunciar" (Atos 20:20). Aqueles que deixam de pregar as bênçãos e as provisões da cura certamente retêm uma bênção que é muito útil aos enfermos.
14. Paulo disse: "Tenho pregado o Evangelho de Jesus Cristo... para obediência dos gentios, por palavra e por obras; pelo poder dos sinais e prodígios, na virtude do Espírito de Deus" (Romanos 15:18-19). Desde que a cura é definitivamente uma parte do Evangelho, aqueles que não a pregam não pregam todo o Evangelho, como Paulo fez. E aqueles que não pregam a parte do Evangelho que trata da cura não pregam para obediência pelo poder dos sinais e prodígios. Por outro lado, aqueles que pregam também a parte que trata da cura leva muitos milhares à obediência por meio de sinais e prodígios, EXATAMENTE COMO PAULO O FEZ.
15. Não é estranho que muitos pregadores, quando querem pregar sobre a cura, escolhem o texto sobre "o espinho de Paulo;" em vez de ensinar que "o espinho" era um "mensageiro de Satanás," ensinam que era uma "enfermidade, olhos doentes," etc. Apesar de Paulo dizer que foi "para o esbofetear," dizem que foi para mantê-lo doente.
Apesar de Paulo orar até Deus informá-lo sobre o "espinho" e esclarecer a razão, muitos recorrem ao hospital para retirar o "seu espinho." Embora Paulo tenha dito que o espinho foi dado por causa das excelências das revelações, esses pregadores, sem qualquer revelação, não mostram desejo de saber por que possuem "seu espinho," preferindo que o médico o remova com êxito. Enquanto Paulo pregava com sinais, milagres e maravilhas, ganhando multidões para Cristo, eles não têm sinais, maravilhas ou milagres, e ganham muito poucos para Cristo.
Embora Paulo tenha pregado todo o Evangelho de Cristo, provando que a fé vem pelo ouvir a Palavra de Deus, esses pregadores pregam apenas uma parte do Evangelho, evitando a parte da Palavra de Deus que foi escrita para produzir fé para a cura. Desde que a fé consiste em crer que Deus fará o que prometeu ou esperar que Ele cumprirá Suas promessas, como os enfermos podem receber fé para serem curados se o pregador evita a parte da Palavra de Deus que trata das promessas de cura? Se o povo nunca ouve falar das promessas de Deus para a cura, nunca poderá receber fé para que Deus cumpra Sua promessa e os cure.
Não é estranho, eu repito, como um pregador pode ignorar toda a Bíblia ao tratar do tema da cura, desprezando o seguinte?
a) O nome redentor da aliança de Deus: "Jeová-Rafa" (O Senhor que te sara).
b) A aliança de Deus sobre a cura.
c) Os ensinamentos e promessas de cura no Velho Testamento.
d) O exemplo da cura através da história do Velho Testamento.
e) As palavras, ensinamentos, mandamentos, promessas e curas do ministério de Cristo, pelos quais Ele revelou a vontade de Deus para nossos corpos.
f) Os dons de cura, fé e milagres colocados na Igreja pelo Espírito.
g) A ordenança da Igreja de ungir com óleo "alguém" que esteja doente.
h) O fato de Cristo ter levado por nós tanto nossas enfermidades quanto nossos pecados.
i) O fato de Cristo, quando esteve na Terra, curar "todos os que o tocavam," juntamente com o fato de que "Jesus Cristo é o mesmo... hoje."
j) O fato de que muitos milhares de pessoas têm sido curadas pelo Poder de Deus desde os dias dos apóstolos e que muitos milhares mais estão sendo curados de toda sorte de doenças incuráveis em quase todos os países do mundo, mesmo na época em que vivemos.
Repito, não é estranho que alguns pregadores ignorem tudo isso e, ao pregarem sobre a cura, escolham como texto a passagem sobre o "espinho" de Paulo, a qual os estudiosos confessam não poderem provar ter qualquer referência nem a enfermidade nem a cura?
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